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jul
17
2010

Vitu Garcia

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Por admin
Segunda-feira – 18/Julho/2011

Quantidade de vereadores ou crise de representatividade: qual é a questão?

Faz sentido para o cidadão comum a explicação simplista de que o aumento do número de vereadores é algo ruim. Mas a questão fundamental a ser encarada pelos cidadãos paranavaienses é como que os vereadores (seja em maior ou menor número) podem ser mais acompanhados e prestativos ao controle social.
Atenas, Grécia, junho de 2011. Manifestantes rebelam-se enfurecidos em frente ao parlamento, enfrentando policiais e bombas por conta de um pacote de medidas de austeridade fiscal aprovada pelos representantes políticos gregos, no intuito de conter a crise econômica já instalada naquele país.
Terra Rica, Paraná, maio de 2009. Uma enorme quantidade de pessoas ocupa a câmara municipal em uma audiência pública, acompanhados do ministério público local, indignados com o excesso e os altos valores das diárias recebidas por vereadores (seus representantes políticos) ao se deslocarem oficialmente dos domínios municipais.
As naturezas políticas dos dois eventos, as proporções de cobertura da mídia e os motivos das suas inquietações populares são distintos, porém inegavelmente há um elemento que unifica as ocasionais revoltas de cidadãos gregos ou terrariquenses: seus questionamentos eventuais e ruidosos perante os seus representantes políticos.
A crise do sistema representativo é um tema constante desde o século XIX, quando se começou a assumir se as posições partidárias e/ou coletivas eram legitimas (ou não) ao determinarem os atos dos representantes. Nisto ainda levou um tempo pra haver voto universal e equitativo (e somente entre os homens). Ainda mais: isto foi na Europa, pois no Brasil daquela época as escolhas de representantes políticos eram reduzidas a camadas que apresentavam posses condizentes ou não às exigências eleitorais da época, e faziam-se restritas ao âmbito legislativo (que vez ou outra era “reconfigurado” pelo poder moderador), com pouca ou tácita revolta pública sobre o tema.
Essa crise vem até os nossos dias, mas com questionamentos cada vez mais radicais. As populações ocidentais (não só a brasileira) atravessaram o século XX em meio a uma complexificação dos mecanismos político-partidários e eleitorais, que tornou a política de estado um mundo quase inteiramente isolado no restante da sociedade. Com o crescimento do poder da mídia, o aumento do poderio dos partidos políticos e uma demanda maior de recursos pra se fazer uma campanha, o cidadão brasileiro comum caiu numa vala (também comum, mas com o agravante de ser vil e estreita!) de que todo “político é bandido”, de que é “normal entrar lá pra roubar” ou que “todo mundo que entra lá quer fazer o seu”. Em geral, as pessoas não se veem representadas por seus políticos, pois os mesmos ou são fenômenos midiáticos (dep. Tiririca e etc) ou “caciques” bem estabelecidos em direções de seus partidos e há tempos instalados no poder (vejam o dep. Valdemar da Costa Neto). Há uma vala gigantesca entre o “representante” e o “cidadão”.
Tal ausência aguda de percepção do representante (maior e mais grave do que o banalizado “descrédito nos políticos”) não pode levar a concepções do problema igualmente opacas ou distorcidas. A grande questão a respeito do aumento de representantes no legislativo brasileiro – e não somente em Paranavaí – não é se vai aumentar o número de “ladrões” ou os “gastos inúteis” (concepções estas preconceituosas e, por consequencia, perigosamente antidemocráticas), mas sim como que podemos fazer um legislativo com maior prestação de contas, mais fiscalizado, menos corrupto e mais econômico.
Como fazer com que os dez vereadores de Paranavaí sejam mais independentes do executivo, mais atuantes nos bairros e mais econômicos em suas despesas? Não é o aumento de vereadores que vai complicar ou resolver tais questões. A resposta deve ser dada pelo controle social ativo sobre esses representantes, criação esta própria da sociedade civil e de instituições nela presentes. Pois é por meio da ação de cidadãos e organizações como a Fafipa (certamente o espaço público mais democrático e crítico de que Paranavaí dispõe) e os órgãos de imprensa local que podem esclarecer melhor a situação desta crise de representatividade presente da Grécia ao noroeste paranaense.
Victor Garcia Miranda – sociólogo – Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

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27/Março/2011 – Domingo

A vida é um passe em:

De Rogério Ceni a Márcio, São Paulo a ACP, quanto mais experiente melhor!

O amadurecimento é algo próprio de qualquer ser vivo. Tudo que é orgânico pode envelhecer, passar com o tempo ou “ficar mais experiente”. E sobre os “experimentados” Márcio (do Vermelhinho) e Rogério Ceni (do São Paulo) é que irei comentar neste texto.

Na natureza, os seres vivos envelhecem com o avanço de sua linha do tempo. Os anos passam e tudo nasce e perece de acordo com as condições impostas pelos limites físico-naturais próprio de cada ser.

Entre os homens, apesar de serem “seres naturais”, passa-se de maneira diferente: costumamos dizer que ficamos mais experientes depois de passarmos por experiências que mudam as nossas vidas. Pode ser por meio de um ritual que o introduz em alguma sociedade ou fase da vida (ex. uma aprovação no vestibular) ou através de mudanças no cotidiano (ex. como a responsabilidade de educar uma criança), os homens transformam-se em experientes com base em suas CULTURAS e não em sua fisiologia (semelhante a de qualquer outro animal).

Neste final de semana, a cultura do futebol brasileiro ficou mais rica depois que o experiente goleiro Rogério Ceni, 38 anos e 100 (cem!) gols como profissional, marcou o centésimo gol de sua carreira. O “rito de passagem” de Rogério foi num clássico vencido por 2 a 1 pelo São Paulo e disputado contra o Corinthians, o maior rival do clube do Morumbi. E tem mais: a vitória marcou a quebra de uma sequencia de 11 partidas sem vencer o Timão. Emocionante ver Rogério ao final do jogo, entregando-se de corpo e alma pela vitória no dia de seu centésimo.

Também vimos outra apresentação especial, só que esta em nível local. O experiente volante Marcio, 32 anos, foi um dos principais jogadores do ACP na vitória sobre o Paraná Clube por 4 a 2.

Márcio não fez gol e também não submeteu-se a uma passagem por uma marca simbólica (quem superou uma marca foi o ACP, ao vencer no WW depois de seis jogos), mas demonstrou sua experiência em jogadas imprescindíveis para estruturar os ataques e a defesa “vermelhinha”. Ele foi o “meia-armador” da equipe, ao atuar como volante que acompanhava as ofensivas de Kelvin e Diego pelo Paraná (sempre auxiliando os marcadores com uma precisão incrível nas “sobras”) e armou jogadas no ataque avançando desde o campo defensivo a até a intermediária adversária (por todos os lados do campo). Destacou-se por lançamento longos, dribles, pelo quase gol ao final do jogo e até nas cobranças de laterais. Márcio parecia flutuar em campo, de tão à vontade que estava.

Pela qualidade apresentada e por estar sempre nos lugares e momentos certos das jogadas, Márcio fazia lembrar um jogador que nos encanta na memória: sem superlativos (cada um na sua época e de seu jeito), a experiência, o comportamento cerebral em campo e os passes precisos fez lembrar Gérson, o “canhotinha de ouro” de 70.

Como eu disse, tudo em seus devidos tempo, lugar e proporções de habilidade. Não falei que Márcio é Gerson, mas que “fez lembrar”.

Em suma, uma coisa é inegável. Que estes insights provocados por apresentações como a do Márcio são coisas maravilhosas que só o futebol pode nos proporcionar… Seja ele em uma Champions League ou no Campeonato Paranaense 2011.

Aprender com a diversidade

Em meu último texto nesta coluna, alguns leitores que não compreenderam a minha tese insistiram em afirmar que Eu não conheço o futebol. Arrogância, incapacidade e intolerância de algumas pessoas que se acham os “donos da verdade” à parte, temos que tirar de tal fato experiências que sirvam para repensar a nossa cultura e sociedade local.

Será que Paranavaí está disposta a receber opiniões diversas, que possam contribuir para que a sua sociedade local avance em direção a melhores níveis de igualdade, pluralidade e justiça plena (em outras palavras, agir de maneira indistinta e completamente PÚBLICA frente a todos os cidadão que deva participam)??

Reforçar o caráter público nas relações políticas em Paranavaí talvez seja o maior desafio para que a sociedade local tenha na atualidade. Para isto, não é demais afirmar, a CIDADANIA é o caminho: tratar todos de maneira igualitária, sem distinções talhadas por “sobrenomes pomposos”, compadrios ou relações clientelistas, e saber respeitar e aprender com as opiniões dos outros com humildade e tolerância. Isto serve para o futebol e o restante da vida, ou Paranavaí não avançará.

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21/Março – Segunda-feira

A vida é um passe em:

A torcida contra seu time

Esse tema é polêmico, muitos vão querer “me malhar” da maneira com que fazem com os jogadores, só porque vou tocar em uma ferida de nossa bela torcida acepena. Torcedor do ACP anda torcendo “pro touro ou pro toureiro” (conforme a expressão do estiloso Pedrão da Cultura)?

A passionalidade dos torcedores em qualquer estádio de futebol é famosamente definida pelos sociólogos Elias e Dunning como uma espécie de “fissura na civilidade” dos homens, ou seja, um jogo de futebol é o momento onde os torcedores perdem certo controle da racionalidade e do recato social e deixam-se levar por pulsões predominantemente emocionais (passam a ser “não civilizados” em um jogo). Isto explica os gritos do torcedor, os palavrões e, eventualmente, as brigas e provocações feitas em um jogo.

Mas o que dizer da variação cultural entre os torcedores? A tese de Elias e Dunning generaliza a atitude dos torcedores e faz com que se perca o particular em uma relação de torcida. Afinal, há diversas formas de torcer e não somente com gritos e xingamentos: a torcida do Corinthians grita o nome de cada um de seus jogadores antes do jogo; a do São Paulo faz questão de ressaltar os seus três títulos mundiais.

E a torcida do ACP? Como vai a cultura de torcer por aqui?

Os torcedores de Paranavaí que comparecem ao estádio têm como cultura a pressão total sobre os seus próprios jogadores. Como o número de torcedores que compareceram ao WW neste ano não ocupou a maioria do estádio, os torcedores podem manifestar-se individualmente – em alto e bom som – sobre a equipe em campo. Estas manifestações chegam fácil ao campo e não são positivas: individualmente, um torcedor “massacrou” o goleiro Ednaldo em algumas partidas (claramente deixando-o nervoso em campo e o fazendo errar, como na partida ante o Iraty na primeira fase); na partida contra o Roma de Apucarana, o excelente comentarista Rafael Souza ressaltou “como o Ferraz joga bem fora de casa!”; na derrota contra o Cianorte, o narrador da RPC percebeu que “curiosamente, os torcedores tão vaiando o seu próprio jogador expulso (Jaime), ao invés de defendê-lo diante do árbitro”; até para o discreto e educado Rogério Perrô já sobrou…

Em Paranavaí, estranhamente, o adversário parece estar vestido de vermelho!

E assim vai. O ACP acaba de ser derrotado pela sexta vez consecutiva no estadual, e não digo que a culpa é “da torcida que joga contra”, mas é evidente que os torcedores locais influenciam nas atuações. Também não digo que a torcida não deva se manifestar diante de seus jogadores, pois cobranças são comuns no futebol. Afinal, faço aqui somente uma observação sobre o comportamento dos torcedores.

Um dos trunfos de se “jogar em casa” é por se ter torcida à favor, e é fato que os torcedores de Paranavaí estão extremamente impacientes (e, por vezes, desrespeitosos) perante os seus próprios jogadores. Alguns torcedores do ACP assemelham-se em comportamento aos povos estudados por Pierre Clastres em A Sociedade Contra o Estado: no entendimento de que o “Estado” são as relações de poder que colocam um líder tribal no poder, Clastres interpreta que os povos agem “contra” o seu chefe pela necessidade de reforçarem seus vínculos sociais e para colocarem os chefes unicamente como “serviçais” da sociedade. Os torcedores acepeanos que criticam agressivamente os jogadores fazem com que este seja um momento de os atletas serem “serviçais” de suas frustrações e raivas. Talves até por não terem realizado o sonho de serem eles, os reclamantes, jogadores de futebol…

(Ps. Este é um problema presente desde o ano passado, quando vários jogadores chegaram a dizer que não se sentiam bem jogando em Paranavaí, tamanha era a agressividade diante deles. Se o time não vence em casa, convenhamos, o problema não é do treinador – um dos melhores do interior – e nem dos atletas – um elenco competitivo e formado entre as tantas limitações de clube interiorano.)

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22/Novembro/2010 – Segunda-feira

A vida é um passe em :

Entregar ou não: esta é a questão?

Neste domingo (21/11), pela série A do Brasileirão, nós tivemos vitórias de Fluminense e Cruzeiro e empate do Corinthians na busca pelo título de 2010. Muito foi dito sobre as partidas destas equipes durante a semana, com um tema em evidência: haveria “entregada” do São Paulo ao Flu, para prejudicar o Corinthians? Vou polemizar neste espaço, dizendo que houve sim uma espécie de “entregada”! Ao mesmo tempo, garanto a vocês que ela não foi premeditada ou de caráter anti-desportivo.

Entendam o seguinte: uma partida de futebol é um ritual que possui “pé de igualdade” apenas em seu início. Sempre entram em campo duas equipes com onze jogadores de cada lado (cada uma com um goleiro) e constando um resultado inicial de zero a zero. Portanto, há uma equivalência de peças entre as duas equipes que disputam um jogo. A igualdade de condições para a disputa é um dos princípios do futebol, mas este equilíbrio se desfaz ao longo da partida, quando tudo pode acontecer.

Com o decorrer de um jogo, as equipes podem desequilibrar a disputa por meio de objetivos máximos: os gols. Assim, com os gols feitos ao longo de uma partida, que começa em 0 a 0, pode terminar em 8 a 0 (como foi neste final de semana entre Barcelona e Almeria, com oito gols para os catalães)! Uma partida que começa igualada pode terminar (ou não!) desigual em gols, com a vitória de uma das duas equipes. Objetivamente, tem um time que ganha e outro que perde, ou empate entre ambos.

Por o futebol ser tão aberto ao inesperado, pois é de sua natureza competitiva, é quase impossível controlar o seu resultado. É praticamente impossível controlar vinte e dois homens em campo, disputando a bola para driblar, chutar ao gol, passar ao companheiro, isolar para frente… A quantidade de acontecimentos possíveis, na disputa, é quase infinita!

Digo quase por que é inegável, também, que existem alguns limites. Por exemplo: uma equipe que possui melhor preparo físico pode sobressair-se; um jogador que tem mais habilidade ou mais recursos técnicos pode desequilibrar mais facilmente um jogo.

Da mesma maneira, as pressões de torcidas, de dirigentes e de salários não pagos (por exemplo) podem desequilibrar um jogo. Tais condições podem servir positiva ou negativamente para que um grupo de jogadores desempenhe as suas capacidades.

É com base nisto que afirmo ter havido uma espécie de “entregada” por parte dos jogadores de São Paulo. Esta não teve caráter corrupto ou anti-desportivo, mas sim inconsciente, ligada à pressão das tradições da rivalidade com o Corinthians e pelo ostensivo clamor (agressivo) da torcida são-paulina. Ou vocês acham que os jogadores do São Paulo, que não tem pretensões no restante do torneio, disputariam energicamente a vitória ao verem as faixas ameaçadoras (que estava na arquibancada) “Quem será o próximo Grafite?” e “Entrega!”?

Assim aconteceu no ano passado, em que o Corinthians perdeu para o Flamengo por 2 a 0 em 2009 (quando São Paulo e Palmeiras disputavam o título) e na memorável “pressão” gremista que desembocou na derrota para o Fla por 2 a 1, também em 2009, na última rodada (quando o Inter brigava pelo título).

Em verdade, são tantas possibilidades de acontecimentos em campo que não é possível haver controle pleno. Os objetivos dos onze jogadores de uma equipe podem não ser os mesmos (pode haver algum individualista no meio); os jogadores podem se poupar individual e inconscientemente ou reservarem-se por ordens superiores; de acordo com o momento do jogo, a equipe pode “desacelerar” o jogo ou avançarem com maior afinco sobre o campo adversário. Dependendo do contexto ou de situações internas, são muitas possibilidades…

Para concluir, defendo aqui a desintegração do conceito “entregar”. Não faz sentido o uso do “entregar”, porque isto passa por uma extensa complexidade de elementos de um jogo. Até para uma equipe que se vende ou entrega um jogo precisa de discrição (para não falar blefe, e bem feito)! O “teatro” deve ser bem feito (um caso muito debatido, do Peru contra a Argentina na Copa de 78, em que acusam – apenas – alguns jogadores peruanos do feito que eliminou o Brasil http://bit.ly/ZjvKp ou a equipe pode ser banida do futebol (o Chapadinha, do Maranhão, entregou um jogo para o Viana por 11 a 0 e foi banido do futebol: http://bit.ly/vZwpY ).

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25/Outubro/2010 – Segunda-feira

A vida é um passe:

A graça do nosso campeonato amador

Clique nas imagens para ampliar
Domingo, dia 24/10/2010, foi possível reunir comida alemã com churrasco, mandioca “derretendo” e futebol na casa do Baiano de Graciosa! Se é da diversidade que construímos o nosso povo brasileiro, a reta final do campeonato amador 2010 proporciona uma experiência em que a fraternidade se faz com união, respeito às diferenças e muito futebol.

Este foi um final de semana tomado por emoções proporcionadas pelo futebol. Setenta anos do Rei Pelé (como ele é humilde! E como jogava! Mas é uma lástima politicamente…), rodada emocionante com o Galo se reerguendo em “Berlandia” com três de Obina contra o Cruzeiro, com vitória do Corinthians “titês” a la Mano Menezes (muito seguro) contra o Palmeiras, superação do Vasco e sofreguidão do Inter (que se preocupa demais com o “mundialito” e começa a ficar distante da disputa pelo título). A bola foi bem chutada na elite do futebol brasileiro.

No entanto, também tivemos acontecimentos. Nas semifinais do Campeonato de Futebol Amador 2010 da Liga de Futebol de Paranavaí, aconteceram jogos como o 2 a 2 entre Estrela Vermelha (adoro este nome e sua história, confesso que era o meu time no torneio) e União Guairaçaense, e a vitória do AD Graciosa por 2 a 0 sobre o Terra Rica FC.

No jogo da Vila Operária, o Estrela vencia por 2 a 0 até chegar o segundo tempo, quando os guairaçaenses passaram por cima do mito de que “ninguém consegue ‘jogar’ na Vila” e empataram o jogo. Com a soma dos resultados – vitória do Guairaça por 5 a 1 no primeiro confronto – a nossa Vila ficou fora da final e o União chega a mais uma final de campeonato (é o atual campeão).

Não acompanhei a partida do Estrela, pois estive na simpática Graciosa juntamente com a equipe da Cultura AM cobrindo os azuis locais. Foi um dia agradabilíssimo, em que primeiro desfrutamos de um ótimo almoço com a família do Baiano (presidente da associação), num banquete diversificado: comida alemã (não gravei o nome do prato, na próxima especifico aqui), churrasco, mandioca e cervejinha gelada. Tudo acompanhado de um ótimo bate-papo sobre futebol.

Horas depois veio a partida: um acontecimento surreal, sob um sol pujante e algumas “dorezinhas de cabeça” por causa da linha telefônica não instalada. A movimentação do jogo teve um primeiro tempo com um pouco de nervosismo por parte do Graciosa no início do jogo, mas que foi estabilizado no decorrer dos 10 primeiros minutos. No restante do 1º. Tempo, imposição de jogo: o Graciosa marcava fortemente o Terra Rica em seu campo, com os terrarriquenses exagerando em saídas mal sucedidas pelo lado direito (com roubadas de bola sobre Marcelo e Carlos) e má atuação de seus volantes de contensão (que erravam muitos passes). Mesmo com a pressão, terminou 0 a 0.

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17/Outubro/2010 – Domingo

A vida é um passe

Dagol, dois paranavaienses e uma partidaça!

O clássico San-São deste domingo (17/10) foi uma “partidaça”! Em campo estiveram os dribles e passes de Neymar, dois bons jogadores de Paranavaí (Miranda e Diogo), um gol no minuto final e o voador Dagoberto em busca da reconstrução de sua carreira. Os 4 a 3 para o São Paulo no Morumbi hoje corresponderam a um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro 2010.

O duelo iniciou com pressão por parte do Santos, o que ocasionou no primeiro gol aos três minutos do primeiro tempo com Alan Patrick pegando um rebote de Rogério Ceni. Rapidamente, o São Paulo reverteu o resultado com dois gols de Dagoberto (de cabeça, na pequena área, demonstração de que os zagueiros santistas foram incompetentes em posicionamento e desarme aéreo próximo ao gol). Antes dos primeiros vinte e um minutos de partida, Dagoberto disparou num contra-ataque que provocou o gol contra de Pará (terceiro do tricolor do Morumbi) e o Santos descontou com Zé Eduardo, completando uma jogada construída pelo lado direito com o mesmo Pará. 3 a 2 só na primeira metade do primeiro tempo!

Na segunda etapa da partida, Richarlyson foi expulso após aplicar uma tesoura em Zé Eduardo. Alguns minutos se passaram e Neymar sofreu um pênalti (após driblar o lento Alex Silva) e converteu, empatando o jogo. O São Paulo, que esteve resguardado no campo defensivo até aquele momento, passou a avançar para cima do Santos com jogadas quase letais (em duas delas, o lateral Jean chutou pessimamente e perdeu “meio-gols”!).

Faltando dois minutos para o término do jogo, Neymar passou a bola com grande sutileza e milimetria para Danilo que…

… chutou para a defesa de Rogério Ceni! O jogo estava nos acréscimos e quase o Santos virara a partida.

Foi então que o São Paulo executou um ótimo contra-ataque, aos 48 minutos, em que à direita da grande-área do Santos houve uma virada de perna esquerda de Marlos para Ricardo Oliveira. Este cabeceou, o goleiro santista Rafael espalmou e Jean – em redenção – cabeceou para encerrar o drama tricolor. Vitória, depois de quatro derrotas seguidas para os Meninos da Vila.

Os paranavaienses Miranda e Diogo atuaram como bons jogadores que são: tecnicamente, Miranda realizou desarmes velozes e excepcionais saídas de bola, enquanto Diogo utilizava seus cruzamentos e velocidade para o apoio ofensivo pelo lado esquerdo; taticamente, Miranda foi o zagueiro que melhor se colocou no momentos dos desarmes (principalmente como zagueiro “de sobra”) e Diogo foi um dos principais na alteração tática que revigorou a equipe (depois da expulsão de Richarlyson, para o esquema 3-5-1), ao compor o meio-campo como ala esquerdo.

E a estrela da noite foi Dagoberto. Dagol saiu de campo com elogios deslavados, ao pé do ouvido, vindos do treinador Carpegiani: “você jogou muito hoje!” disse o técnico, enquanto o brilhante jogador saia com um leve, discreto e “curitibano” sorriso no rosto. Lembrou-me o Sul-Americano Sub-20 em 2003, quando o treinador de uma equipe adversária disse para “não deixarem esse Dagoberto jogar”, enquanto era o grande destaque da equipe brasileira junto com Nilmar. O tempo passou, Dagol não evoluiu tecnicamente – ao contrário de seu parceiro de ataque da época –, teve constantes problemas de relacionamento coletivo e destacou-se nas equipes em que jogou somente com brevidade.

Depois de um momento em baixa, em que quase foi embora do São Paulo, hoje Dagoberto foi aplaudido após voar magicamente em campo. Mas a magia do futebol, como no restante da vida, exige constante revisão, reflexão e aprendizado para ser posta em prática novamente. Que Dagoberto e todos nós assim busquemos…

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12/Outubro/2010 – Terça-feira

A vida é um passe

A hegemonia dos Joões Carlos

A recente discussão neste blog referente à formação de um goleiro do Atlético Paranaense, o paranavaiense João Carlos Heidemann ( acompanhem aqui http://bit.ly/acHoTm ), sintetiza um dos conflitos elementares da sociedade que chegou à era da nanorobótica, dos transplantes faciais e das sondas espaciais sem se desfazer da busca pelo imediato e simples.

Nossa sociedade capitalista do século XXI chegou ao topo da modernidade tecnológica, em que quase tudo que nos rodeia é artificializado. Temos à disposição – ao menos para os mais ricos – meios de comunicação e transporte que atingem a qualquer lugar do planeta, além de suplementos alimentares, medicamentos e máquinas capazes de tonificarem músculos ou redefinirem quimicamente até emoções subjetivas.

Somos sujeitos globalizados, transpassados rotineiramente por uma tonelada simbólica de informações que às vezes deixam nossas cabeças pesadas na hora de dormir, e ainda assim precisamos nos identificar com o que é local, com o que nos conforta mais imediatamente como sendo nosso.

Não vou entrar em detalhes da formação atlética de João Carlos, já suficientemente repercutida. Destaco outro ponto: a postagem sobre João representa o conflito entre a identidade localista (chamado por alguns de “bairrismo” ou regionalismo) e o mundo que figura enquanto globalizado (ligado à grande mídia, ao futebol profissional e ao grande mercado). Esta situação, segundo o historiador britânico Eric J. Hobsbawm, é a maneira como o futebol transparece o principal conflito na humanidade. Somos locais/nacionais ou globais?

Enquanto há cultura interligada e globalizada, também o bairrismo (percebam que não uso este termo no sentido negativo) ou regionalismo é em diversos lugares reafirmado. Casos que orgulham uma localidade acontecem em muitas proporções e partes do mundo, como com Dunga, enquanto treinador da seleção mais vezes campeã do mundo (Brasil), sempre se orgulhava de sua “aldeia” Porto Alegre; com Cafu, ao homenagear o seu bairro de nascimento com uma camiseta “100% Jardim Irene” no título de 2002; na frase “mais um paranaense convocado para a seleção”, que ouvimos algumas vezes do jornalismo esportivo da RPC; com a seleção espanhola, campeã do mundo de futebol, que nada seria sem o regionalismo do Barcelona.

Aqui em Paranavaí não é diferente. Nas sinceras palavras de Pedro Machado: “Olha, tenho um orgulho tremendo quando vejo alguém daqui, que representa a gente, e se destaca aí pra fora”. Manifestações de orgulho local ocorrem sobre o ACP – “uma ‘marca’ que leva o nome de Paranavaí” são as palavras ditas –, o zagueiro Miranda e o lateral Diogo, ambos do São Paulo FC, e recentemente em relação a João Carlos.

Todas as pessoas buscam o seu “cadinho no mundo”. Nos dias atuais, este “cadinho” possui diversos modos de ser representado, ora por meios high-tech, ora num bate-papo no boteco, e o bom goleiro atleticano foi um delicioso motivo para isto no blog.

Exaltar e debater publica e respeitosamente sobre o esporte, os esportistas locais e os seus formadores é algo salutar, no entanto não se pode resumir a isto. Precisamos de boas políticas públicas (em todos os níveis) para a educação física, e que mais Joões sejam formados e com diferentes orgulhos locais difundidos ao mundo.

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05/Outubro/2010 – Terça-feira

A vida é um passe especial “Eleições 2010”

Política como futebol: dinheiro para vencer

Montar um time de futebol e organizar um grupo de cabos-eleitorais: o futebol possui muito em comum com a política eleitoral. Como a vida política no Brasil para a maioria dos cidadãos se restringe à eleição – com o voto singelamente repetido a cada quatro anos – infelizmente definimos os rumos de nossas ações políticas institucionalizadas em um mísero dia de votação. Em um tempo pequeno (como disse, um mísero dia de votação) muita coisa se define, o que deixa os acontecimentos eleitorais no Brasil com cara de partida de futebol, pois um instante é decisivo!

Fui comentarista político da Rádio Cultura no momento da apuração neste domingo. Sou um estudioso da sociedade brasileira e não tive problemas em estampar a configuração de forças eleitorais nacionais e locais. Todavia sentia-me numa encruzilhada, pois também dedico minhas interpretações à cultura do futebol e, mesmo com a profundidade de meus conhecimentos (modéstia à parte, pois citada até entre meus companheiros), tomava precauções para não misturar o modo de ver as coisas. Análise política é uma coisa, “estética da bola” é outra.

Contudo, que diferença pequena! “Jogo é jogo, e vice-versa”, conforme o dizer do ex-atacante Jardel, e então vimos como Ricardo Barros e Gustavo Fruet surpreenderam na eleição paranaense para o senado – com este último apenas 190.000 votos atrás de Requião –;  Aloysio Nunes superou Marta Suplicy e Netinho em São Paulo; Marina Silva rompeu a barreira das famigeradas “margem de erro” das pesquisas, chegou a 19,33% e desequilibrou a eleição rumo ao segundo turno. Jogos de futebol, jogos eleitorais brasileiros…

O futebol como metáfora da política segue a mesma lógica capitalista do esporte mais popular do planeta: assim como está caro montar um time campeão para as quatro linhas, está cada vez mais difícil alguém que não aplique uma boa quantidade de dinheiro vencer uma eleição. A demanda por cabos-eleitorais é cada vez maior, somada à diminuição drástica de militantes vinculados ideologicamente aos partidos e candidatos. Observem o conhecido caso local do Professor Ailson, candidato a deputado estadual que realizou uma campanha com poucos recursos e baseada no corpo-a-corpo entre conhecidos. Infelizmente a campanha modesta de Ailson captou apenas 431 votos em Paranavaí, enquanto alguns candidatos de outras localidades (com alguns meses de preparação/campanha, estando bem equipados e com diversos cabos-eleitorais pagos) reuniram mais votos do que ele em nossa cidade.

Este é um dos problemas mais sérios de nosso país e atesta a fragilidade de nossa democracia. Temos uma terrível combinação de “cidadãos de quatro em quatro anos” – que pouco se mobilizam para acompanharem no cotidiano os nossos representantes e tratam política como mero dia do voto em que uns perdem e outros ganham – e um sistema político-eleitoral que beneficia as relações de mercado, o “quem pagar leva”, os grandes contingentes de cabos-eleitorais e – em sua face mais perversa – a corrupção em compra de votos.

Romper com a “futebolização das eleições” e as relações de consumo fúteis (votar no “mais bonitinho” ou de “boa aparencia”) que envolvem o pleito eleitoral é “virar o jogo” fazendo reforma política e também transformando o cotidiano em uma intensa vivência política. Ideologia, utopia coletiva, posicionamentos partidários, opiniões e sonhos para país e localidade existem em todos os espaços, precisamos deixá-los transparecerem entre nós.

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29/Setembro/2010

A vida é um passe

Um Fantasma forte e que ainda pode fazer sucesso

No domingo que passou (26/09) acompanhei por internet e rádio a partida entre Joinville e Operário Ferroviário Esporte Clube (nome forte!) pela quarta divisão do futebol brasileiro. Quem acompanhou o campeonato estadual lembra-se que o Operário (“de Ponta Grossa”) terminou o campeonato uma posição à frente do ACP, sexto colocado no paranaense, e conseguiu uma vaga na série D do Brasileiro 2010.

O Fantasma – apelido do OFEC, desde os anos cinqüenta por “assombrar” os grandes da capital – possui uma história quase centenária envolta por dificuldades, poucos títulos e duas espécies de “fusões”. Foi criado em 1912, tendo como data de fundação simbólica (pois imprecisa) o dia 1º. de maio daquele ano, fruto da reunião do time dos trabalhadores da Rede Viação Paraná-Santa Catarina com alguns jogadores do Riachuelo Sport Club, mas adquiriu o nomenclatura Operário Ferroviário somente em 1933 com a fusão de sua matriz Operário com o Clube Atlético Ferroviário (dos funcionários da rede ferroviária). Percebe-se desde o seu surgimento uma forte identidade local e com os operários do transporte ferroviário, que tinha nas associações de futebol a sua principal atividade de sociabilidade e lazer.

Os títulos operarianos foram conquistados com incipiência. Apenas três figuram entre o seu histórico, sendo dois “Torneios Início” – em 1927, este contra grandes como Coritiba e Palestra Itália, e 1956 – e um Campeonato Paranaense da 2ª. Divisão – 1969. Vê-se aí o quanto os pontagrossenses são tão apaixonados pela sua equipe, de riquíssima tradição porém pouco sucesso nos campeonatos disputados.

Mais difícil do que o insucesso na conquista de títulos foi o período da década de 90: após alguns anos de presença na primeira divisão do estadual e na segunda divisão nacional (dec. 70 e 80), o Fantasma ficou de 1995 até 2009 fora da primeira divisão. Experiências ruins em negociatas também vieram, como na vinculação com o Ponta Grossa Esporte Clube no ano de 1996 que em pouco serviu para fazer o clube valorizar a sua tradição. De cinco anos para cá, em parceria com a prefeitura municipal (mais uma vez o dinheiro público “salvando” as equipes) e com a fidelidade dos torcedores de Ponta-Grossa, o Operário passou por uma reestruturação que fez o clube chegar em quinto no Paranaense de 2010 e  alcançar uma vaga na série D do Brasileiro.

Chegou na Série D e o Operário é um dos mais cotados à subir para a Série C do Brasileiro! O símbolo desta ascensão é uma muralha de 1,89 m de altura e bem conhecido em Paranavaí: Rodrigo De Lazzari, zagueiro forte campeão paranaense pelo ACP em 2007. De Lazzari é o zagueiro central “fortão” de uma defesa no mesmo esquema 3-5-2 de nosso Vermelhinho em 2007. Na forma de jogar as duas equipes também se assemelham, com os principais recursos sendo os rápidos e bem treinados contra-ataques, com muitas jogadas aéreas e pelas faixas laterais. Aquele ACP e esse Operário são duas equipes que esbanjam capacidade física (às vezes, exagerando em faltas).

As semelhanças entre as duas equipes são notorias, porém há particularidades entre as duas. Em meu ponto de vista, o ACP 2007 possui melhor toque de bola (Agnaldo e Tiago “jogaram muito” naquele time!), enquanto é perceptível o envolvimento mais caloroso por parte da torcida do Operário (eles têm médias de mais de três mil torcedores por partida).

O Operário está a uma fase da Série C. Já está entre os oito melhores do torneio e precisa eliminar um adversário no mata-mata para atingir o grande feito. Às vésperas de completar cem anos, o Fantasma pode enfim se desfazer de seus grilhões provincianos e alcançar o sucesso das primeiras divisões nacionais. A ambição por transgredir as barreiras locais é o componente mais importante do futebol na atualidade e pode valer mais do que títulos locais e regionais. Quem quer sucesso no mundo globalizado deve pensar e fazer para além de seus limites.

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“A vida é um passe”

USO DE DROGAS NO ESPORTE: hiper-corpos humanos, violência e exclusão social.

Fui citado recentemente por um dos mais importantes críticos esportivos brasileiros (José Inácio Werneck, jornalista da ESPN nos Estados Unidos) em uma de suas análises sobre o uso de doping por atletas profissionais  – veja em http://br4.in/G0lYe . Digo que o esporte profissional é essencialmente público (pois é de interesse público, das coletividades torcedoras e produtoras das diferentes modalidades).

Sendo público, ele funciona como um “espelho” que reflete a beleza e os problemas de nossa sociedade e, ao mesmo tempo, incide sobre ela influenciando massivamente o comportamento das pessoas que usufruem dele enquanto lazer ou entretenimento.

Por conta deste “vai e vem”, os esportes funcionam por meio de pessoas distintas, que chegam até ele de diferentes lugares sociais (por isso, dificilmente vocês verão um corredor de Fórmula 1 vindo da periferia) e influencia as pessoas que os acompanham com diferentes mensagem (quase sempre de fundo educativo).

Ou seja: um esporte que privilegia a solidariedade, a dedicação, o respeito às normas e incentiva à busca da liberdade contribui para formar cidadãos com estes princípios, enquanto a prática esportiva tomada por interesses exclusivamente voltados para vitória, o ganho de resultados por cima de qualquer regra ou respeito humano, tende a influenciar os amantes do esporte a agirem de tal modo. É a estética a serviço do ganho a qualquer custo!

A maximização das capacidades corpóreas, por meio de uso de substancias proibidas, corresponde à busca sem limites de auto-realização dos seres humanos de nossa época. O interesse em “ganhar” na sociedade, “vencer na vida” ou – no meio masculino – “sair com a mulher mais bonita” (para não usar outra palavra) são atitudes individualistas e mesquinhas que provocam a imoralidade e, em última instância, a auto-destruição. Este é o típico programa de vida de uma atualidade movida por “sonhos de consumo”.

O caso do suicídio do velocista Antonio Pettigrew, medalha de ouro no atletismo em Sidney 2000, é um bom exemplo do atleta obcecado pelo prestígio, que chegou ao topo transgredindo os limites da competitividade justa e, no alto de sua posição, foi repreendido e chegou ao colapso final com a auto-destruição. Casos envolvendo drogas acontecem cotidianamente na periferia de nossa cidade, com qualquer garoto que não goza de olhar consciente sobre a vida e pensa somente em “se dar bem” com as meninas e com os membros de sua turma. Esse garoto só encontra no uso (e/ou comércio) de drogas o sinônimo de poder e realização entre os seus semelhantes, sendo também um caminho auto-destrutivo para “vencer na vida”.

Mais exemplos são encontrados nas academias de musculação e seus rapazes “bombados”, destinados a suprirem um fetiche contemporâneo pelo corpo. Enfim, esporte de alto rendimento com doping reforça o individualismo narcisista, a obsessão por “ganhar a qualquer custo” e a exclusão de algumas camadas sociais (incapazes de competirem, por não terem condições de adquirirem as drogas maximizadoras). É o vazio existencial entre atletas e fãs, todos componentes de uma mesma sociedade violenta e tomada por modos de exclusão.

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23/Agosto/2010

“A vida é um passe”

O difícil e prazeroso ato de informar no futebol local

Pedro Machado chegou rouco ao programa hoje 23/8). O apresentador do programa Cultura nos Esportes (na Rádio Cultura AM, todos os dias, às 11h05 da manhã) combinou conosco, os comentaristas, um tempo menor de fala para resguardarmos a sua debilidade e para cumprirmos o novo horário da programação, alterada pelo período eleitoral. “Pedrão” ficou resfriado numa aventura com o narrador César Luis, quando encararam um vento “congelante” de moto na BR 376 indo para Guairaçá para fazer a cobertura da partida entre o Estrela Vermelha da Vila Operária e o União Guairaçaense, no início do Campeonato Amador 2010 da Liga de Futebol de Paranavaí.

A Rádio Cultura é, até o momento, a única emissora de rádio que realiza a cobertura de partidas no Campeonato Amador da Liga. Não é fácil trabalhar no futebol amador local. As dificuldades em mobilizar desde os equipamentos aos patrocinadores são enormes, numa situação que valida o rotulo de “abnegados” a aqueles que querem transmitir as informações de nosso futebol local. Vez ou outra tem um probleminha com transporte (como o que causou o resfriado no Pedrão) ou com a perda de sinal bem no momento de um gol (fato ocorrido na última partida, entre AD Graciosa e Terra Rica FC), mas o que se sobressai é a disposição desses sujeitos em porem no ar as noticias do nosso campeonato.

Além do trabalho bem humorado e inteligente das transmissões Cultura, o empenho dos organizadores das equipes e da Liga também sustenta a competição. O presidente Celestino abre os debates nos arbitrais; a União Guairaçaense investe para manter uma boa equipe e o título conquistado no ano passado na sua pequena e orgulhosa cidade; o Estrela Vermelha chega mais uma vez com a sua tradição popular – remetendo time da Iugoslávia (a “escola brasileira” de futebol na Europa), o também chamado Estrela Vermelha campeão da Liga dos Campeões e 1991; o S.E. Terra Rica vem com sua juventude. “Muito bom ver o trabalho lá em Graciosa, com o Baiano chegando cedo por lá e organizando as coisas, arrumando o ambiente pra partida da comunidade”, disse César Luis sobre a última partida transmitida naquele distrito.

O futebol amador local é a face mais generosa do esporte mais popular do planeta. As equipes definem as suas identidades com certo espaço e população, se enfrentam e levam muitas mensagens para as pessoas. QUE O FUTEBOL SEJA BONITO DE VER. PARABÉNS A TODOS OS ORGANIZADORES, PARABÉNS AO PESSOAL DA EQUIPE CULTURA PELAS TRANSMISSÕES!

Resultados das duas primeiras rodadas (15 e 22/08):

Terra Rica FC 2 x 1 ACAS

AD Graciosa 2 x 1 Amaporã

União Guairaçaense 2 x 2 Estrela Vermelha FC (transmitido pela Cultura AM)

AD Graciosa 1 x 1 Terra Rica FC (transmitido pela Cultura AM)

ACAS 0 x 0 Estrela Vermelha FC

SE Terra Rica 1 x 1 União Guairaçaense

Próximas transmissões da equipe de esportes da Rádio Cultura:

12/09 AD Graciosa x SE Terra Rica

10/10 EC Amaporã x União Guairaçaense

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15/Julho/2010

A vida é um passe.

“O futuro do Barça [é] o futuro da Espanha”. Palavras fortes, um tanto proféticas e esperançosas, ditas pelo goleiro reserva José Reina a respeito do camisa dez da fúria espanhola, Cesc Fabregas. Tudo bem que o título de campeão mundial de futebol foi obtido pela Espanha num todo, com todas as suas idiossincrasias regionais de 17 comunidades autônomas unificadas por Madrid.  Mas as palavras daquele goleiro reserva (que joga no Liverpool da Inglaterra, não no Barcelona) evidenciam o quanto o desenvolvimento do futebol de uma pequena região como a Catalunha pode adquirir poderes globais.

Como o futebol é o esporte mais popular do mundo, imaginem a importância de uma equipe como o Barcelona, que forneceu 7 dos 11 titulares da Espanha na final da Copa! Se somado o reserva Fabregas, formado nas canteiras barcelonistas, são oito jogadores representando o mesmo clube de futebol em uma seleção campeã do mundo. Para uma melhor idéia da importância desses números, a seleção brasileira de 1962 – bicampeã no Chile – possuía sete jogadores do Santos campeão do mundo naquele ano, só que os atletas que formavam a base titular da equipe eram do Botafogo. Na Espanha de 2010, quem define o estilo é o Barcelona!

E o Estilo Barcelona, sustentáculo dos campeões da Euro-2008 e da Copa-2010, corresponde a uma construção histórica do futebol tratado como política de um povo. Desde as suas primeiras décadas, o Barcelona representava nos gramados a luta pela liberdade do povo da Catalunha, e o Estado espanhol via na exaltação da identidade local como um risco à unidade nacional. Com isto, o Barça (assim como o Athletic de Bilbao, representante do chamado País Vasco, local fortemente separatista) teve intervenções militares em seu estádio nos anos 20 e um presidente do clube assassinado em 1936. Há acusações de que o general fascista Francisco Franco (que ficou no poder até os anos 70), investia no Real Madrid para que os libertários barcelonistas não conquistassem espaço no ambiente futebolístico da época.

Com o passar dos anos, o Barça foi afinando mais ainda o seu discurso com a chegada do treinador holandês Rinus Michels e o maior craque de sua história, Joham Cruyff. O futebol total da Holanda vice-campeã na Copa de 1974 teve seu auge no Barcelona, com coletivismo e solidariedade bem absorvidos pelos catalães. O Barcelona queria defender a sua causa internacionalmente e a modernidade tática foi o caminho para a região conquistar o mundo.

Com os desenrolar da história, a Catalunha readquiriu o direito de usar o seu próprio idioma (o català, ao invés do castellano) e o futebol foi um dos grandes instrumentos de defesa da identidade local. O Barcelona foi se tornando um mega-clube, que não possui patrocinadores de camisas (veja que eles estampam o logo da Unicef), que mantém um modelo administrativo em forma de associação, que dissemina os valores democráticos e catalães pelo mundo.

Além de tudo isso e ainda possuir o melhor jogador do planeta (Messi), o Barça apresenta um futebol lindo e agora é a base da seleção campeã do mundo. Não há limites para o localismo mundialista do Barça, que transmite ótima lição para o futebol local – expressado, sobretudo, pelo nosso Vermelhinho.

O futebol, como tudo na vida, é conduzido por princípios. Vamos por em campo a transformação social?

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