INÍCIO
CONTATO
15 Visitantes Online
nov
04
2011

Parreiras Rodrigues

Categoria(s):
Por admin

“O Tenentismo foi o nome dado ao movimento militar e à série de rebeliões de jovens oficiais de baixa e média patentes do exército brasileiro no início da década de 1920, descontentes com a situação política do Brasil. Não declaravam nenhuma ideologia, propunham reformas na estrutura do poder do país, entre as quais o fim do voto de cabresto, instituição do voto secreto e a reforma na educação pública. Os movimentos tenentistas foram: A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana em 1922, a Reforma Paulista e a Comuna de Manaus de 1924 e a Coluna Prestes. O movimento tenentista não produziu resultados imediatos na estrutura política do país, já que nenhuma de suas tentativas teve sucesso, mas conseguiu manter viva a revolta contra o poder das oligarquias, representada na política do café com leite ( São Paulo e Minas Gerais ). No entanto, o tenentismo preparou o caminho para a Revolução de 30, que alterou definitivamente as estruturas do poder no país…”. Fonte: Wikipédia, com algumas alterações minhas.

 

 

 

BARCOS DA REVOLTA DOS TENENTES APODRECEM EM PORTO RICO

O industrial Ismael Alves Esmanhoto é fabricante de expositores para fábricas de torneiras na cidade de Santa Isabel do Ivai, no Extremo Noroeste paranaense.

Ele acreditou nas histórias de moradores das barrancas do Rio Paraná que falavam da existência de barcos antigos cobertos pelas suas águas e em 2009 contratou pescadores, mergulhadores e até vaqueiros para encararem a aventura do resgate. Debaixo dos olhares desconfiados de muitos, incentivado pelas mostras de apoio e mesmo de ansiedade de outros, trabalharam dias na procura para cumprirem a missão de trazer à tona, testemunhos da história que aconteceu há oitenta anos. Imaginemos a emoção que atingiu a todos quando do surgimento da primeira embarcação na flor das águas da nossa fabulosa divisa natural com o vizinho Mato Grosso do Sul. Tudo começou quando o empresário se dispôs a construir o hotel restaurante Flutuante Cabanãs – homenagem ao tenente João Cabanãs* –  para ancorar junto à prainha Santa Rosa, na ilha de mesmo nome, pouca distância rio abaixo. Foi o ex-prefeito Valter Romão – *1968+2009 – quem lhe falava a respeito dos navios fundeados na região do Porto São José, 20, 25 quilômetros acima, já sob a administração da prefeitura de São Pedro do Paraná. O feito do Ismael Esmanhoto foi registrado por toda a imprensa regional e ocupa espaço na mídia virtual.

Desde a retirada dos dois barcos, armas, cartuchos deflagrados e outros apetrechos do fundo do Paranazão, Ismael depara-se com a omissão e a indiferença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que deveria ser responsável pela guarda e recuperação das embarcações, partes da História do Brasil. Através do gabinete do deputado Luiz Accorsi, contatos foram feitos com a entidade sem que se obtivesse resultado algum.  

Esmanhoto também, reiteradamente, buscou o órgão para as providências de preservação. Ele mesmo se propôs a restaurá-los, montar um pequeno museu. José de La Pastina Filho, o diretor, alegou motivos de caixa da instituição para que a situação de alheiamento permaneça até hoje. Os barcos apodrecem no campo de futebol de Porto Rico, numa tão triste quanto revoltante demonstração de inércia do IPHAN em relação a fato pertinente à sua área de atuação. O que não é de espantar depois do que se viu em recente reportagem de tevê a respeito da situação dos trilhos, das locomotivas e das estações da ferrovia Mamoré-Madeira,     Porto Velho-Rondônia/Guarajá-AM.

 

 

*João Cabanas nasceu em São Paulo, em 1895.

Militar, cursou a Escola de Oficiais da Força Pública paulista, tendo também se bacharelou pela Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1924, teve participação ativa no levante tenentista deflagrado em São Paulo contra o governo de Artur Bernardes. A capital paulista esteve, então, por três semanas, sob o controle dos rebeldes. Após a retirada dos revolucionários da cidade, prolongou a luta pelo interior do estado comandando a Coluna da Morte. Nessa época, seus feitos militares estimulavam o aparecimento de muitas lendas sobre a sua pessoa, a quem se atribuía poderes sobre-humanos em combates e fugas espetaculares. Por conta disso, o governo colocou sua cabeça a prêmio por quinhentos contos. Exilou-se, então, no Uruguai, não se integrando à Coluna Prestes, exército guerrilheiro nascido da unificação das forças rebeldes de São Paulo com as que haviam sublevado guarnições do Exército no interior gaúcho, também em 1924, sob a liderança de Luís Carlos Prestes.

Voltou ao Brasil em 1930 para participar do movimento revolucionário que depôs o presidente Washington Luís e levou Getulio Vargas ao poder. Nos anos seguintes, porém, decepcionou-se com os rumos do novo governo. Por essa época, ingressou no Partido Socialista Brasileiro de São Paulo. Em 1935, foi um dos articuladores da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política de caráter antifascista lançada oficialmente em março de 1935. Foi importante militante da Aliança, participando de suas manifestações públicas e integrando caravanas que divulgavam o seu programa em diversos municípios brasileiros.

No final da década de 40, tornou-se um ativo defensor do monopólio estatal do petróleo. Em 1950, apoiou a candidatura presidencial de Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano, concorreu a uma vaga na Câmara Federal por São Paulo, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), obtendo apenas uma suplência. Assumiu, porém, o mandato temporariamente, entre abril de 1953 e agosto de 1954.

Morreu em São Paulo, em 1974.

 Biografia em: cpdoc.fgv.br/producao/biografias/João Cabanas

30/Abril/2012 – Segunda-feira

O NOROESTE SURPREENDE

*Parreiras Rodrigues

(reedição atualizada de art. já publicado por diversos jornais em agosto de 1999)

Com a erradicação da cafeicultura depois da geada de 1975 – além de outros fatores que desestimularam a cultura anteriormente – confisco cambial, por exemplo – temeu-se pela desertificação do nosso Noroestão.

Com o desaparecimento das pequenas propriedades abocanhadas pelo latifúndio para a prática da pecuária, instalou-se a indústria da mudança. A população da macrorregião – Paranavai, Umuarama, Maringá e Campo Mourão que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – o IBGE, era equivalente a metade de todo o Estado, já no início de 80, despencou para pouco mais de 20 por cento.

Levas e levas de famílias aboletaram-se em carroçarias de caminhões na busca de outros estados, principalmente os de Rondônia, os dois Mato Grosso, além do Paraguai.

A migração interna também sofreu os reflexos do fim da era do café mostrando uma Maria Helena, na região de Umuarama, ver seu quadro de moradores despencar de 40 mil almas, para menos de 8 mil, em menos de 10 anos. Enquanto isso, cidades pólos e as plantadas na região metropolitana de Curitiba, viram suas populações se quintuplicarem até.

Hoje, pode-se verificar que o quadro é outro. Frequentemente a gente depara com antigos vizinhos que engrossaram o êxodo pós 75, voltarem faceiros e esperançosos para as suas origens. E muitas famílias fazendo as malas para o retorno.

A coragem, a tenacidade, a persistência e a criatividade dos que ficaram são as virtudes responsáveis pelo reerguimento sócio e econômico do Noroeste paranaense.

De Umuarama surgiu a proposta para arrendamento de pastagens degradadas cujas recuperações estão aquém das condições financeiras dos seus proprietários. Daí, a introdução de novos cultivares que, além de mudar a feição da região, aproveita mão de obra e gera renda.

Não se pode negar que a onda de ocupações deflagrada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, o MST, inquietou os latifúndios especulativos e muitos assentamentos foram bem sucedidos, contribuindo para a fixação do homem no Interior, como os de Querência, de Monte Castelo, de Paranacity, entre outros.

Em Paranavai, o Grupo Felipe, mesmo em meio à recessão, atreveu-se a implantar o Mister Frango que logo no seu nascedouro já atuava em 45 municípios onde foram construídos 200 barracões de engorda envolvendo 170 produtores.

Ainda as  faculdades, mais a de Loanda, de Mandaguari, de Umuarama, as universidades de Maringá, contribuem para o desenvolvimento técnico-científico de toda a rapaziada no nosso Arenitão.

E o distrito de Graciosa dos Catarinenses, assiste a continuação de processo de industrialização com a vinda da Ioki.

Quando em 74, mais os fotógrafos Moracy Jacques e Sérgio Carniel fiz reportagem do aniversário de Cianorte para o noviço Diário do Norte de Maringá, temi pelo futuro daquela cidade. Uma enorme voçoroca atravessava o quadro urbano, comprometendo o seu desenvolvimento. Agora, é uma das cidades interioranas mais conhecidas além fronteiras, graças ao seu rico parque de roupas.

E Loanda, acreditando no sonho do seu filho Salvador Casado , exporta metais sanitários fabricados em suas dezenas de fábricas e ainda nas das cidades satélites, empregando vinte por cento do total da sua população.

Na minha Santa Isabel do Ivai, um grupo de visionários arrendou um naco de terra, plantou abacaxi. Ao lado de Monte Castelo e Santa Mônica, o trio ostenta o título de pólo do abacaxi de todo o Sul brasileiro. Do abacaxi mais doce do mundo.

E lá mesmo, nasceu a minha idéia do cultivo do coco como alternativa agroindustrial e de florestamento para a região. Apesar do descaso dos governos – todos, a região, Marilena à frente – Fazenda Portão de Ouro, produz um milhão de frutos/ano. (fonte Deral/Seab).

E nas beiradas, margeando os rios Paranapanema, Paraná, Ivai e Piquiri, o oferecimento de confortável estrutura turística pelas cidades de Terra Rica, Diamante, Marilena, Porto Rico, Querência, Icaraíma e tantas outras, são fatores de atração de famílias que viram na indústria do lazer, os meios para a busca da melhoria das condições de vida.

O Noroeste caminha firme e celeremente na reconquista da posição perdida e recebe a contribuição dos plantadores de mandioca que ou é industrializada lá mesmo ou é transportada “in natura” para diversos centros consumidores.

Duas importantes esmagadoras de laranja se responsabilizam em absorver a produção esparramada por uma dezena de municípios e as usinas sucroalcooleiras mobilizam milhares de braços fortes no corte da cana.

São Carlos do Ivai desponta no fabrico de telhas e tijolos com suas dezenas de cerâmicas e a prática foi assimilada pelo patrimônio de Aparecidinha do Ivai, distrito de Santa Mônica. De repente, antes uma ou duas, hoje dez indústrias abrem vagas para atrair mão de obra e fazer circular dinheiro na região.

São estas, dentro de dezenas de outras, as iniciativas que me embalaram na feitura deste texto e na oportunidade do seu título.

Realmente, o meu Noroeste, o nosso Noroeste, surpreende!

* Sou jornalista e ambientalista. Coordenador de projetos especiais e de atenção à Imprensa no gab. do dep. Luiz Accorsi. E sou um cara que gosta muito do Noroeste paranaense.

====================================================================

21/Maio/2011 – Sábado

Relatório Aldo Rebelo – O lambari, o sabiá, o tamanduá e a peroba votam contra!

*Parreiras Rodrigues

Em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, na região produtora de soja, exames de laboratório detectaram vestígios de agrotóxicos no leite materno.

Essas mesmas drogas são responsáveis por um expressivo número de ocupação de leitos em hospitais e por covas em cemitérios.

O Paraná, o maior produtor de grãos do Brasil, de há muito apresenta um quadro tétrico dos danos à saúde e ao meio ambiente provocado pelo uso incorreto dos químicos, paralelamente ao anúncio das suas supersafras.

Há trinta anos, antes da chamada guerra química deflagrada no Brasil justamente pelas multinacionais que viram os seus produtos proibidos de comercialização em suas origens, era incomum a gente conhecer um canceroso.

Hoje, o aumento do número de afetados pela doença se multiplica numa proporção que muito tem a ver com a quantidade de venenos, de fertilizantes, de biocidas lançados nas searas.

As frutas, verduras e legumes comidos hoje, não têm o sabor que a gente sentia outrora.

A piscosidade dos rios, a despeito das ações de repeixamento – até 70 desnecessárias, diminui comprensivelmente.

Comprensivelmente porque se sabe que a fauna ictiológica vem sendo dizimada também pela presença dos venenos nos rios e pelo assoreamento deles.

A vazão dos nossos rios diminui a olhos vistos.

Observamos que eles se tornam mais largos, não por causa de mais água. Por causa sim, de mais areia, de mais terra em seus leitos.

Só o Rio Ivai – o nosso mais extenso rio de águas internas , carreia para o Paranazão, mais de 10 milhões de toneladas/ano das terras a ele transportadas pelos seus afluentes mais as arrancadas das suas barrancas desprotegidas.

Essa desgraça toda se soma ainda ao desaparecimento e entupimento de minas e nascentes ao longo das suas margens desnudas.

A causa dessa jornada genocida é por todos conhecida.

Pelo homem da cidade, pelo menino na escola, pela mulher que faz compra no supermercado e pelo agricultor que vai ao banco pedir a renegociação do financiamento do tanque de pulverização.

Sabem que ela é consequência da ausência da mata ciliar, essa mesma proteção dos rios que o Relatório Aldo Rebelo quer ver diminuída.

Nos anos 70, o governo da Dita Dura, tomou uma medida corajosa: Desencadeou o Pmisa – Programa de Manejo Integrado de Solos e Águas, uma ação que a sensatez manda aplaudir.

Um projeto de custo elevado que em convênio com o então governo José Richa, determinou a construção de curvas em nível desrespeitando cercas e divisas: Os murunduns do sítio do Rolando Boldrin, ligados aos das terras do Almir Sater, que se emendaram com os da fazenda da Família Lima, fechando o cerco da microbacia hidrográfica na chácara do Sérgio Reis, depois da ligação com as linhas traçadas pelos irmãos Chitão e Xororó.

Essa tarefa objetivou o controle das erosões laminar e de sulco, a retenção das águas das chuvas nas lavouras, o melhor aproveitamento do adubo, evitando também a descida dos químicos para as aguadas.

E mandou construir poços comunitários para abastecimento para evitar que os tanques de pulverização fossem lavados e enchidos em rios e lagos, empestando-os.

E dê-lhe mata ciliar.

Ciliar, deputado Aldo Rebelo, vem de cílio, aquele cabelinho enfileiradinho em cima da pálpebra do olho para protegê-lo contra tudo o que possa incomodá-lo como a poeira, um cisco.

Daí o dizer de nós poetas que chamamos os rios de olhos da terra. Convém, portanto, não cegá-los.

Bem, como resultado do bom Pmisa, os peixes e as aves notaram melhorias em seus habitats e os agricultores viram suas contas bancarias engordarem.

E sem culpa nas consciências. Pelo contrário.

E hoje, quando a população rural debate o tal relatório, defronta com uma contradição no aspecto que tange à comercialização: Quando alguém se interessa em comprar um sítio, é influenciado pelo corretor ou proprietário, das vantagens pela presença de nascentes, de aguadas, de matas. O mesmo argumento usado pelos escribas do Relatório Aldo Rebelo, como inconvenientes ao desenvolvimento do agronegócio.

Pretende portanto o documento, convencer a todos de que a largura da mata ciliar prejudica financeiramente o dono do sítio.

Uma deixa para se persistir no desmate, necessário, prega o relatório, para o aumento da produção agropecuária.

Enquanto isso, milhares de hectares de terras degradadas são abandonadas por “heróicos desbravadores de fronteiras”, eufemismo bastante divulgado para maquiar as atividades dos homens que atam um correntão dum trator a outro para avançar na expansão dum futuro deserto, que é o rastro por eles deixados depois de exaurirem antigas propriedades, muitas em outros estados.

É mais cômodo ainda, lê-se nas entrelinhas do Relatório, usar a motosserra, mesmo o correntão, do que gastar dinheiro na recuperação da vida do solo erodido, extenuado, depauperado.

Dona Dilma Roussef poderá reescrever o seu nome na história política do Brasil.

Na campanha, nós, da Oposição, a chamamos de quadrilheira por causa da sua atuação no movimento armado pela redemocratização do Brasil, anos de chumbo, quando na verdade, militávamos nas mesmas trincheiras, embora nos valendo de táticas diferentes.

A presidente poderá ser lembrada sim, se hoje ela mandar fazer um programa de recuperação das terras degradadas, premiar o Nordeste com um descoronelizado plano de irrigação, ao mesmo tempo em que convencer o Congresso Nacional, ou esse simulacro de Parlamento, a esquecer que um dia, um seu correligionário, afinado ideologicamente, deu nome a um relatório para embasar um projeto de lei comprometedor do futuro das gerações do mundo inteiro.

Podemos sim, aumentar produção e produtividade no campo, sem a necessidade do corte dum único talo de bambu.

*Parreiras Rodrigues é jornalista – MT/PR 4801, e ambientalista isabelense.

Para comentar este artigo, clique AQUI

=============================================================================

04/Maio/2011 – Quarta-feira

Mensagem verde-amarela para uma juventude azul e branca

*Parreiras Rodrigues

Quando sentirdes opressores grilhões dilacerarem vossos pulsos, revoltai-vos…

Quando a vileza insurgir-se peçonhentamente contra a soberania nacional, cerrai posições na frente de batalha e defendei-a…

Quando o suor dos que trabalham for conspurcado por oportunistas e parasitas, recordai-vos do sangue dos nossos mártires e expulsai-os…

Quando o glorioso destino desta Terra tiver o seu Norte prestes a ser desviado, segurai firmemente o seu leme, conduzindo-o a porto seguro, ancorando-o no lugar de destaque que lhe foi destinado por Deus entre as grandes nações do Universo.

Não prevariqueis!

Armados por sã e democrática ideologia, lutai contra os grupos entreguistas.

Lutai contra a interferência estrangeira que seja tida como perniciosa à autodeterminação do nosso povo.

Lutai contra as cadeias que nos atam ao subdesenvolvimento.

Que a injustiça social seja sempre combatida e o servilismo radicalmente extinto.

Tende consciência dos sentimentos de brasilidade.

Fazei da bandeira uma cruz e da democracia uma religião.

A pátria é divina.

Amai-a como a vós próprios.

Sois estudantes.

Sois o manancial da coragem desta Nação que teve na destruição assassina dos seus heróis, a semeadura dos valores morais que hoje municiam essa batalha cuja vitória final será um regime de total liberdade.

Sois jovens.

Fazei do fervilhar desse sangue que vibra em vós, o eco do brado que ainda retumba às margens do Ipiranga: “Independência ou Morte!”.

Sois valentes.

Quando sentirdes o fétido odor de qualquer jugo, fazei reprisar em vossos íntimos, o histórico grito: “O povo unido jamais será vencido!”.

Para comentar- Clique AQUI

Esta mensagem foi lida e aplaudida de pé, na Convenção Estadual do Setor Jovem do MDB – 19 de maio de 1985 – Assembléia Legislativa do Estado do Paraná – Plenário e galerias lotadas por jovens trabalhadores e estudantes representantes de cidades de todo Estado do Paraná.
Publicada na revista Projeção – Paranavai – 1970
Lida na Rádio Cultura de Paranavai ( Fiquei sabendo que muitos motoristas pararam seus carros para ouvi-la com atenção ).
*Parreiras Rodrigues é ambientalista e jornalista noroestino
Femup – Troféu Barriguda – 2010 – Conto: A peroba vive!
5º. Lugar – 1989 – Canção: Terra Pelada

=====================================================================

30/Março/2011 – Quarta-feira

O INDIGENTE ou … DOENTE TAMBÉM FAZ TURISMO

*Parreiras Rodrigues

Trabalhei como chefe de gabinete da prefeitura de Santa Isabel do Ivai, em 69, gestão do saudoso Marcos Léo de Albuquerque Vellozo.

Sabia da necessidade de encaminhar pessoas para tratamento médico em cidades maiores, com os recursos não encontrados no município.

Tinha, na minha mesa, uma caixa de sapatos com a tampa cortada, à semelhança dum cofre.

Quando algum agricultor precisava duma patrola para a melhoria do carreador do seu sítio, por exemplo, a gente combinava que ele colaboraria com o óleo combustível e a “boia” do tratorista, do seu auxiliar.

Trato feito, eu emendava pedindo uma ajuda para a assistência social.

Nem Marquinhos sabia, mas eu sempre tinha um “fundo” para ajudar alguém na compra duma receita de remédio ou para a compra duma passagem de ônibus.

Em 1975 vim para Curitiba, para assessorar o ex-deputado maringaense, Valter Pietrângelo.

O gabinete ficava no fundo do terceiro andar do edifício da administração.

No corredor, uma fileira de bancos para acomodar o pessoal que aguardava por audiência, a maioria para pedir encaminhamento para emprego, para tratamento de saúde.

Dividia o tempo na elaboração de requerimentos, de projetos e com a assistência social, de madrugada na fila dos ambulatórios do Hospital de Clínicas, da Santa Casa, para conseguir algum internamento.

Diariamente, o fornecimento de passagens de retorno, através da agência Estar da Presidente Faria que era ressarcida quando da liberação da Verba de Assistencia Social.

Quando conseguia alguma passagem por parte da Secretaria de Estado da Saúde, ficava revoltado com um enorme carimbo em cima da requisição: INDIGENTE.

Sim, àquela época, o Governo do Estado tratava como Indigente, o roceiro que precisasse duma especialidade médica só encontrada na Capital.

Indigente, o mesmo roceiro que nos comícios pedindo votos, era aclamado do alto dos palanques, como o “herói anônimo das mãos calejadas e rosto marcado pelo sol inclemente, trabalhador responsável por tudo o que cobre a mesa do brasileiro”.

Em 1976, na seção de cartas do jornal Gazeta do Povo, registrei a minha indignação contra o adjetivo humilhante, discriminatório, injusto.

Não creio que foi em razão do meu protesto, mas o que importa é que o carimbo foi suprimido.

Mas, a humilhação continua.

Passaram-se 7, 8 governos, mas a indigência quanto ao obrigatório atendimento médico continua.

E Saúde é direito do cidadão e obrigação do Estado.

Um prefeito dos bons, duma cidade com até 10.000 habitantes precisa de, no mínimo, manter duas ambulâncias para constantes viagens às cidades polos ou à Curitiba.

Não raramente o paciente viaja sem recursos, carecendo de a prefeitura manter convênio com alguma hospedaria para albergar o seu munícipe.

A descrição dessa desumana e anti-cristã situação que se arrasta por sabe-se lá quantas décadas, eu a faço enquanto vejo num canal de televisão – meio dia, reportagem sobre o turismo dos carentes – carente – um eufemismo que arrumaram para indigente.

Ao Estado, à União, é mais rentável política e econômicamente, distribuir ambulâncias do que investir corretamente na instrumentalização pessoal e mecânica de hospitais em todas as cidades.

Nos hospitais das maiores, sobrecarregados, macas nos corredores e doentes passeando com os suportes do tubo de soro.

Dante parece que via mais ou menos isso em seu Inferno.

Ontem, vi, também na tevê, um enfermeiro bombeando ar duma garrafa plástica para alimentar os pulmões dum paciente, que, soube, morreria horas depois.

É, o Brasil atingiu nos últimos dez anos, o seu status de emergente dentro da escala BRIC.

As classes C e D experimentam os prazeres proporcionados pela facilidade de crédito para consumir o que antes era exclusividade dos abençoados das A e B.

O mecânico, o pedreiro, a professorinha do distrito, viajam de avião pela vez primeira.

Severino de Assis Ribeiro, retireiro da Fazenda Nelorândia (nomes fictícios) levou um coice duma vaca no curral.

Bil – apelido de todo Severino lá no Nordeste – sai de lá na ambulância do Marcão da Prefeitura às 5 da matina para chegar ao Hospital de Clínicas às 12 horas onde com sorte, será atendido no mesmo dia, mesmo porque a assistente social do deputado que exerce o mando político já fez o encaminhamento.

Nem um ortopedista para atendê-lo na cidade onde mora.

Isso, no Estado da melhor saúde do Brasil. como dizia ex-governante

Que nunca viu antes na História desse país, como dizia ex-governante.

Mais eleições virão.

E preparemos os ouvidos para a cantilena ufanistica sobre O herói das mãos calejadas…

Para comentar este artigo, clique AQUI

===============================================================

*Parreiras Rodrigues é assessor para a Imprensa do gab. do dep. Luiz Accorsi.

Autor de projetos voltados às questões ambientais do Noroeste: Muralhas Verdes;

Coco – alternativa agroindustrial e de reflorestamento para o Noroeste paranaense; Areia x Saúva; Uso do bambú na erradicação de voçorocas e Bebedouro.

Troféu Barriguda – Femup/2010 com o conto: A Peroba Vive!

Festival de 1989 – Canção: Terra Pelada – 5º. Lugar – 3º. Em Pato Branco.

Livros: Coco – Uma alternativa…. e 2 de Julho.

==================================================================

20/Dezembro/2010 – Segunda-feira
CHICO MENDES: O NOSSO TARZÃ

*Parreiras Rodrigues

O povo norte-americano cultua heróis fabricados pelas suas agências para mostrar a potência, a supremacia e a invencibilidade da sua Nação.

Na era da corrida espacial disputada com a União Soviética, surgiu o Flash Gordon que voava em sua nave interplanetária, daqui para o planeta Mongo lutando contra o rei Ming que tentava invadir a Terra.

Na segunda guerra quase que mundial, criaram o Capitão América, O Vencedor, vestindo-o com uma ridícula sunga, uma camiseta apertada para realçar tórax e bíceps. O Capitão América usava um enorme escudo como arma e todos os seus paramentos eram pintados com as cores ufanas da bandeira americana.

Eu era menino e vibrava nas matinés do cinema do Velho Pacheco lá na minha Santa Isabel do Ivai. Com as aventuras deles mais as do Super-Homem, uma figura que veio para o nosso planeta para fugir da explosão do seu, o Kripton.

O simpático e molenga repórter Clark Kent, “alter-ego” do Super-Homem, dotava-se de poderes extraordinários. Transformava-se em aço, voava e sua visão de raio xis atravessava paredes. Valia-se desses atributos para destruir todos os inimigos da paz mundial, engendrados pelo maldoso Lex Luthor.

Para defender o meio ambiente norte americano, como uma forma de reparação depois do genocídio das tribos do Oeste, Edgar Rice Burroughs criou Tarzã, O Rei das Selvas, que nelas vivia com a sua Jane, mais a macaca Cheeta.

Tarzã luta contra os exploradores das minas de pedras preciosas, contra os caçadores de pele e dos marfins dos elefantes.

O Brasil, terceiro-mundista, prefere amesquinhar-se, apequenar-se, ridicularizar-se, humilhar-se, o que faz com grande maestria.

Nossa literatura criou o herói sem caráter, o Macunaíma e aceitou que Walt Disney nos impusesse a figura do papagaio Zé Carioca para personificar a vagabundagem e a malandragem não de todo correspondente à realidade, pois a indiscutível maioria da gente brasileira é trabalhadora e cristã, por isso fraterna.

O cinema estrangeiro nos impele à admiração de Van Dame, de Rambo e nós retribuímos mostrando-lhes nossas favelas, nossa juventude vencida pelas drogas em Cidade de Deus, no Morro do Alemão, na vida dos apenados nos carandirús.

Escondemos, para citar um só exemplo, a fibra, a coragem, o destemor e a brasilidade de um dos nossos heróis, o Chico Mendes, o nosso Tarzã.

Minto. Talvez ele seja mais respeitado lá fora, pelo bem que ele fez para o Brasil, do que pelo próprio povo que ele tanto defendeu.

O nosso herói chama-se Francisco Alves Mendes Filho.

Nasceu em 15 de dezembro de 1944 e foi assassinado no dia 22 de dezembro de 1988 na porta da sua casa no município de Xapuri, no Acre.

Desde criança, Chico Mendes seguiu a profissão do seu pai, a de seringueiro.

Jovem ainda, é tomado de indignação contra as derrubadas inconsequentes da floresta amazônica por fazendeiros gananciosos, ávidos de lucros fáceis e imediatos, desdenhando que as suas ações criminosas contribuem para a desertificação da maior área verde do mundo, formada durante 180 milhões de anos.

O herói da floresta lutou corajosamente opondo-se às práticas destrutivas, às derrubadas e queimadas da grande mata, advogando o retorno da agricultura sustentável, incentivando os seus companheiros num protesto não violento contra as entidades ladras da subsistência do povo amazônico.

Politiza a sua luta, organizando os seringueiros em torno do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Basiléia, ainda em 75.

Elege-se vereador pelo antigo MDB mas sente que o partido não dá guarida à sua causa.

Em 1979, Chico Mendes transforma a Câmara Municipal de Xapuri num grande foro de debates de lideranças sindicais, populares e religiosas, e por isso é acusado de subversão e submetido a duros interrogatórios.

Na verdade, Chico luta contra todos os poderes constituidos, contra a polícia, contra a justiça, instituições compradas pelo interesse dos latifundiários.

Vivendo sob constantes ameaças, mesmo assim lidera o Primeiro Encontro Nacional de Seringueiros em 85 e a partir desse evento a sua luta repercute nacional e internacionalmente.

Em 87, Mendes recebe a visita de membros da Organização das Nações Unidas que puderam ver a extensão dos danos da devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causados por projetos financiados por bancos internacionais.

Meses depois da visita da ONU, Mendes leva essas denúncias ao Senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o BID, Banco Internacional de Desenvolvimento.

Suspensos os financiamentos, Chico passa a ser denunciado pelos fazendeiros como inimigo do progresso do Acre.

No entanto, o mundo começa a reconhecer a justeza da luta de Chico Mendes que passa a receber prêmios, reconhecimentos e homenagens nacionais e internacionais como uma das pessoas que mais se destacaram em defesa da Ecologia. Recebe, por exemplo, o prêmio “Global 500” outorgado pela própria ONU.

Durante o ano de 88, Chico Mendes cada vez mais ameaçado e perseguido, principalmente por ações organizadas após a implantação no Acre, da União Democrática Ruralista, representante do latifúndio brasileiro, continua sua luta percorrendo várias regiões do Brasil, participando de seminários, palestras e congressos, denunciando sempre a ação predatória contra a floresta e as violências dos fazendeiros contra os trabalhadores de Xapuri.

Como primeiro resultado prático da sua luta, Chico consegue a criação das primeiras reservas extrativistas no Acre e a desapropriação do seringal Cachoeira, de propriedade de um ex-morador de Umuarama, aqui no nosso Paraná.

Logicamente, a partir de então, assoberbam-se as ameaças de morte, como ele próprio chegou a denunciar várias vezes junto às autoridades policiais e governamentais, adiantando até os nomes dos seus prováveis assassinos.

Pressentindo a sua morte, Mendes escreveu: “Se descesse um enviado dos céus e garantisse que minha morte fortaleceria a nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver”.

 

FRANCISCO Alves MENDES Filho

*15 de dezembro de 1944, Xapuri – Ac

+ 22 de dezembro de 1988, Xapuri, Ac

Para comentar – clique AQUI

========================================================================

13/Dezembro/2010 – Segunda-feira

ANTONIO CARLOS BRASILEIRO DE ALMEIDA JOBIM

*25 de janeiro de 1927 – Rio de Janeiro
+ 8 de dezembro de 1994 – Nova Yorque

Ele queria que o soldado fizesse poesia.
Que o capitão descobrisse que sabia cantar.
Que o general embalasse o neto no colo.
Que o fuzil fosse esquecido num armário qualquer.
Que o canhão virasse um poleiro de pombas.

Quartéis? Cadeias? Febems?
Ele queria…
Ora, pois…que cedessem seus pátios e celas.
Para corais de gospels e de filhas de Maria.
Para rapeiros, berimbaus, roqueiros e prá turma do Gralha Azul.
Para bandas de choro, orquestras, teatros e cordéis. Ah! Os cordéis…

Penitenciárias? Ah! As penitenciárias…
Ele queria…
Que virassem circos de lona
Prá molecada ver Arrelia, Nhô Belarmino e Gabriela
E cinemas, daqueles de tela grande,
Prá molecada rir do Bronco Golias, do Oscarito e do Grande Otelo,
E rir do Carlitos Chaplin, do Cantinflas e do Mazzaroppi.
E bater os pés no assoalho cavalgando com Roy Rogers,
Voando com Flash Gordon
Nadando com Tarzan.

Ele queria um Chico Mendes em cada mata do mundo.
E um Jacques Cousteau em cada mar
E um Zumbi em todos os palmares.

Tom brasileiro queria que o sol a todos iluminasse.
Que as chuvas irrigassem os trigais.
Que a lua fosse dos namorados e as estrelas…
Ah! As estrelas, pousadas de vaga-lumes.

E queria que os rios e riachos,
Que os mares e as praias
Tudo, tudo fossem dos peixes, dos mariscos
E dos surfistas, e dos pescadores e das deusas de tanga.
E das barracas cobertas com folhas de coqueiro.

E Tom queria árvores, muitas árvores e nelas pássaros e borboletas.
Frutas e flores, muitas flores, belas, brancas e pretas, amarelas e azuis.
E vermelhas…Desde que delas se sentisse o perfume para o beijo do beija-flor
E o açúcar para o beijo da abelha que faz o mel que adoça os lábios
Os doces lábios da garota da praia de Ipanema
Da garota que agora se banha nas águas do meu Suruquá.

Por Parreiras Rodrigues

Para comentar esse poema , clique AQUI

=========================================================================

21/Set/2010 – Terça-feira – Dia da Árvore

A ÁRVORE E EU

Parreiras Rodrigues

Estou de joelhos sobre as tuas cinzas
arrependido e contrito
humilhado e vencido,
de mãos juntas pedindo que me perdoes

Quando nasci
transformaram-te em meu berço
e pelas tuas paredes
até hoje sou abrigado

Quando criança ainda
fostes cega, surda e amiga minha
quando em teus galhos me escondias
livrando-me dos chinelos da dona Nenêm

Para o meu pai, o Mané Cearense
e para tantos outros entes queridos
servistes de proteção contra os vermes da terra
abrigando-os na viagem de volta ao Criador

QUE FIZ EU DAS MINHAS JABUTICABEIRAS
PITANGUEIRAS, ABACATEIROS E LARANJEIRAS?
ONDE ESTÃO MINHAS PEROBAS, MEUS CEDROS,
MINHAS AROEIRAS?
ONDE ESTÃO AS MINHAS MATAS
QUE ERAM O VERDE DA MINHA BANDEIRA
QUE ERAM O VERDE DOS OLHOS DA MINHA ELIZA?

Fui eu mesmo,
inconsciente e brutal assassino quem
empunhando covardemente um machado
destrui capões e selvas inteiras
deitei abaixo o gigante jatobá
não tive dó nem do indefeso jaracatiá

Agora diante deste deserto
que eu mesmo fiz nascer
tremo e choro de medo
ao meu derredor sinto triste solidão

O sol faz ferver a terra
chuvas não as vejo mais

Amada Natureza agonizante
tende piedade!
Que não seja inclemente a tua vingança

Tenho esperança que n`lgum dia
voltaremos a nos encontrar
Adeus – Vou sair por aí e replantar!

Quero que me agasalhes com tuas sombras
quero ver as cores das tuas folhas
refletidas nas águas azuis
do Ivai,do Piquiri, do Panema e do Paranazão

Quero erguer as mãos
e pedir não mais perdão
mas uma gabirobinha só
e uma florzinha amarela
para enfeitar as louras tranças
da minha filha Alessandra Emanuella

(Hoje, eu dedico este poema à minha filha Ana Eliza que nasceu no Dia da Primavera de 1982)

Deixe seu comentário AQUI

================================================================

01/Maio/2010 – Sábado

Ayrton Brasileiro Senna da Silva – 16 anos de saudades

By Parreiras Rodrigues

No dia primeiro de maio de 1994, às 14h5min., de Brasília, a médica Maria Tereza Fiandri, no Hospital Maggiore, em Bolonha, na Itália, com os olhos marejados e voz embargada, comunicou que Senna havia morrido 45 min. antes.

A notícia da morte de Senna correu o mundo numa velocidade que ele bem conhecia.

No São José do Ivaí, numa vila de bóias-frias, o catador de algodão Zé Piaui, 65 anos, sem carteira assinada, 5 filhos, morando de favor num rancho de troncos de coqueiros coberto com cascas de peroba, esqueceu-se da falta de dinheiro para comprar remédio para a sua Inez que tossia muito e cuspia sangue.

Segurou o rosto preto e magro com suas grossas mãos.

Pagode imaginou que o Mazoni e o Zanatta, dos armazéns onde ele comprava fiado prá pagar quando recebesse do gato, também deveriam estar chorando.

Era lá naquelas vendas que a peãozada se juntava, domingo sim, domingo não, para ver na televisão aquele menino subir num palanque com uma bandeira brasileira nas mãos e jogar champanhe em reis e presidentes.

No mesmo instante, num apartamento de cobertura na avenida Vieira Souto no Rio de Janeiro, Valter Torrezan., 13 anos, calçando tênis de grife, vestindo roupas assinadas por estilistas europeus, abraçou-se à sua governanta Valcy – seus pais viviam uma segunda lua de mel nas Ilhas Gregas – e os dois também choraram.

A mesma tristeza tomou conta dos botecos do Antenor, do Paulão, da venda do Carlinhos, do posto do Toninho, da oficina do Zé Marcolino, da máquina de arroz dos Marcossi e adentrava a casa de cada família vinteoitense.

O professor João Bezerra dispensou as aulas no colégio Narcizo Mendes, mas a molecada não vibrou nem um pouquinho com a folga. O que se via era um vermelhidão só nos olhinhos de cada aluno. E soluços, ouviam-se muitos soluços.

O motorista da carreta Volvo, carregada com lascas de aroeira lá pelas bandas de Rondônia destinadas aos sítios e fazendas dos Breda, do Mané Guedes, dos Pônzio, dos Fatinanci, do João Greghi, dos Ribeiro, dos Matos, acostou numa lanchonete na beira do asfalto em Juara e pediu um conhaque.

Era para desatar o nó que estava apertando a sua garganta.

Nelson Ferreira tinha escutado pelo rádio do Volvão, a notícia que enlutou o mundo.

Demorou para ser atendido.

Os donos da bodega, Zé Birola e dona Ana, estavam chorando.

Ferreira dispensou o conhaque, trocando-o por um café amargo, num gesto simbólico de respeito à morte de Ayrton Brasileiro Senna da Silva.

Para comentar essa crônica do Parreiras clique AQUI

======================================================

08/Abril/2010 – Quinta-feira

PARANAVAI – GÊNESE – CAPÍTULO PRIMEIRO

*Parreiras Rodrigues

E, no princípio, eram matas.

Árvores como aroeira, ipê, peroba, canafístula, amendoim, palmito, cedro, marfim, pau d’allho,  figueira, embaúba, tamanqueira, pés de ingá, pitanga, jatobá, canela, macaúba, e outras mil adornadas por milhões de flores de todas as cores que sustentavam outras milhões de abelhas e borboletas.

E elas escondiam onças, sagüis, capivaras, tamanduás, preguiças, bugios, porcos e cachorros do mato, pacas, tatus, lagartos, lagartixas, coatís, macacos, antas, cotias.

E nos seus galhos cantavam nhambus, macucos, pombas, corruíras, tisius, araras, almas de gato, papagaios, maritacas, periquitos, canários, curiangos, garças, joães de barro, anuns, chupins, pássaros-pretos, quero-queros, saracuras, garças.

E nos seus troncos agarravam-se bromélias, begônias, orquídeas.

E aos seus pés, samambaias, arranha-gato, maria preta.

Os rios e riachos Floresta, Arara, Suruquá, Paranavai, água da Graciosa, do Cap. Selma, do Joaquim das Éguas, abrigavam lambaris, piaus, traíras, bagres, acarás, piranhas,douradinhos e até jacarés.

Sucurís, jibóias, jararacas, cascavéis, urutus e corais serpenteavam em meio a mata virgem.

O Homem veio.

Trouxe no ombro, a foice, a enxada, o machado, o trançador.

Na matula, o jabá, o rolo de fumo de corda, uma garrafa de pinga e um retrato da família que havia deixado lá longe, com a promessa de que um dia venho buscar vocês.

No peito do peão enfeitado por um rosário de contas multicores, a vontade de derrubar mato, queimar coivara, plantar, colher, ganhar dinheiro para buscar a amada Rosinha, mãe de Mariquinha e do remelento Toninho que ficaram lá nas Minas Alterosas do Aleijadinho, na Bahia do Senhor do Bonfim, no Pernambuco de Lua Gonzaga, no Ceará do Padim Padre Cícero Romão Batista, na Paraíba da Muié Macho, ou talvez aqui mais perto em São Paulo de Monteiro Lobato, na Santa Catarina de Cruz e Souza e Anita Garibaldi ou no Rio Grande do Sul do Veríssimo e Quintana.

O Homem acendeu fogueiras e fez surgir clarões nas densas matas.

Ergueu um rancho de tronco de palmito e o cobriu com lascas de peroba.

Furou um poço e a água minou cristalina, borbulhante.

No lugar da mata deitada, ele plantou café e no arruamento, ele plantou feijão, milho, arroz, mamona, batata doce, melancia, amendoim, mandioca, mamão, laranja, abacate, abacaxi e num outro canto, algodão.

Embaixo, beirando o Suruquá, um colonião abrigava vacas de leite, cabritas, um boi e um bode.

Na beira do rancho, um chiqueiro para os bacuraus e um galinheiro para as botadeiras.

No rádio Semp, de manhãzinha, as cantigas de Tonico e Tinoco que se misturavam ao cacarejo das galinhas, ao grunhir dos porcos, ao mugir das vacas e da cabras, para tudo se silenciar às seis horas, a hora da Ave-Maria, acompanhada pelo cri-cri dos grilos e pelo coaxar dos sapos e pelo algazarrear das cigarras.

A terra sentiu a presença do Homem e do corte afiado da sua enxada.

Ele regava o sulco de cada enxadada com o suor salgado que lhe escorria pela testa.

E via que da terra ferida não saia sangue.

Saia o pão que lhe dava coragem para melhorar a sua vida e a da sua gente.

E então o Homem vendo que tudo o que plantava, dava, esperançou-se.

Comprou carroça, jipe, caminhão e trator.

Enquanto cicatrizavam-se as feridas da guerra lá noutro canto do mundo, aqui ele ergueu uma serraria, uma cerâmica.

Ao derredor: casas, pensões, escolas, igrejas de todos os credos, campos de futebol, de bocha, armazéns e botecos.

O Homem fez os patrimônios da Graciosa, do Sumaré, do Quatro Marcos.

O Homem posto em descanso, numa noite azulada, olhou para cima e viu mais uma estrela pendurando-se no céu.

No céu da bandeira do Paraná.

E dos seus olhos então, surgiram duas lágrimas que escorreram demoradamente pelas  QUE SE voçorocas abertas em seu rosto.

Abraçado a sua Rosinha, ladeados pelos filhos Toninho e Mariquinha, mais o genro Raimundo e a nora Cleonice, netos Caçando vaga-lumes no terreiro, o Homem disse: “Olha, minha velha! Nós fizemos uma cidade! Nós fizemos Paranavai!

ESTE TEXTO É A MINHA HOMENAGEM AOS NORTISTAS E NORDESTINOS PAUS DE ARARA QUE SE IRMANARAM AOS PAULISTAS E PAULISTANOS, AOS CATARINENSES E AOS GAÚCHOS, E SE JUNTARAM ÀS GENTES DA ITÁLIA, DO JAPÃO, DA ESPANHA, DE PORTUGAL, DA ALEMANHA E, NUM MUTIRÃO DE CREDOS E CORES MISTURADAS, SE DERAM AS MÃOS NA LABUTA DA CONSTRUÇÃO DE PARANAVAI, ESSA CIDADE POR TODOS NÓS MUITO AMADA!

* Parreiras Rodrigues é jornalista amigo do dono deste blogue, daí a razão de todo este espaço para abrigar esta mensagem de amor à Capital do Noroeste. É colaborador do gabinete do deputado Luiz Accorsi, designado por ele para permanecer à disposição de todos os profissionais dos estúdios de rádio e tevê e das redações dos  nossos jornais e revistas. É  autor de diversos projetos todos eles voltados às questões do meio ambiente deste Canto do Paraná.

Para comentar esse artigo do Parreiras, clique AQUI

===========================================================================

30/dezembro/2009

A FORÇA DO POVO E A HORTA DE PIRACEMA

*Parreiras Rodrigues

Lí, neste bem elaborado e concorrido blog do bom radialista Joaquim de Paula que a profa. Vanda Maria Kramer – Universidade Sem Fronteira –  construiu um horta comunitária no distrito paranavaiense de Piracema. Leia AQUI

Lembro-me que no embalo do sono de ser prefeito da minha cidade de Santa Isabel do Ivaí, aproveitei os dias de carnaval de 1982 para ir a cidade catarinense de Lajes para conhecer o programa A Força do Povo, lá desenvolvido pelo então prefeito Dirceu Carneiro.

Eu estava realmente intrigado com as ações daquela prefeitura que redundaram na diminuição do desemprego e, como reflexo direto, também os números da criminalidade, da prostituição. Mais ainda, numa bruta elevação do orgulho e do amor próprio do lajeano.

Carneiro acolitado por uma plêiade de colaboradores engajados no desenvolvimento de uma política motivacionista e realmente participativa, principiou por organizar a sociedade, incentivando-a na discussão das suas prioridades. Elencadas as carências maiores, instalou um banco de materiais refugados em reformas de casas, como tijolos e móveis usados mas aproveitáveis. Criou o sistema de construção de casas populares dentro da prática do mutirão: a prefeitura dava o terreno, a planta, o material e a família entrava com a mão de obra. Aquilo resultava na construção do orgulho da família quando da conquista da casa própria. Ela podia dizer: Eu construi a minha casa! O banco de materiais vendia a preços simbólicos, a pia da cozinha, a patente da privada. Daí que a família era tomada do maior zelo pela sua conquista, pois ela lhe custara alguma coisa. As casas tinham então hortas nos fundos e jardins nas frentes. Começava ai o fim do humilhante paternalismo. Carneiro fez os Hortões da Juventude, catando a rapaziada desempregada para cuidar de imensos canteiros e tanques. O resultado das vendas – frutas, verduras, legumes, peixes – era rateado como forma de pagamento. Surgiram os Hortões dos Aposentados, a velharada se exercitando no abaixa, levanta, anda e carrega, melhorando as suas condições físicas, levando verdura para enriquecer a mesa em casa e vendendo o excedente como complementação da aposentadoria.   Melhora na saúde e no bolso. Menos ida ao SUS e à farmácia e  televisão nova no fim do ano. E o espírito da ação coletiva se materializou de tal forma no seio da gente lajeana que numa ocasião, Dirceu Carneiro foi convidado para inaugurar um posto de saúde num determinado distrito. Estranhou, pois não sabia da obra. Estranhou mas foi. Os moradores tinham se cotizado: um deu um saco de cimento, outro um metro de pedra, um terceiro uma carriola de areia e todos entraram com a mão de obra. Gabinete odontológico, consultório médico, sala de curativos, sanitários, etc. Tudo muito simples, mas bastante funcional. O prefeito foi recebido com um almoço. Na hora da inauguração, a placa: ESTE POSTO DE SAÚDE FOI CONSTRUIDO COM A FORÇA DO POVO DE ……..(O nome do bairro, digamos Piracema). Na hora do corte da fita, o líder da comunidade, serviu prá Dirceu uma sobremesa, uma sopa de pedras: Prefeito, o prédio tá aí, mas tá desequipado! Dirceu partiu na segunda prá Florianópolis  – e  era adversário do Governado -, mostrou fotos do postinho e saiu do gabinete do homem com a autorização para equipá-lo e ainda com o compromisso da contratação de médico, dentista e tudo o mais. Quem pode detalhar melhor ainda o programa do Dirceu Carneiro e que atraiu a atenção de prefeitos do Brasil todo e até de países vizinhos é o engenheiro agrônomo Mário Figueiredo, secretário da Agricultura da Força do Povo de Lajes, hoje na nossa Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano – Sedu. Ele veio se juntar a nós no começo do Governo José Richa, em 83, quando a Sedu era Sein – Secretaria do Interior, com a tarefa de coordenar projetos estribados na prática do mutirão. E termino parabenizando: A professora Vanda Maria Kramer não fez uma horta comunitária em Piracema. Ela reavivou A FORÇA DO POVO DE PIRACEMA !

*Parreiras Rodrigues é jornalista, ambientalista, pesquisador do cultivo do coco no Noroeste e assessor de Imprensa do deputado Luiz Accorsi.

Para comentar esse artigo do Parreiras, clique AQUI

===========================================================================


 

Compartilhe isso:

  • Facebook
  • Twitter
  • Google +1
  • Mais
  • Digg
  • LinkedIn
  • StumbleUpon
  • Tumblr
  • Pinterest
  • Reddit
  • Email
  • Imprimir

1 Comentário

  1. Pingback: O NOROESTE/PR SURPREENDE – Por Parreiras Rodrigues |

Deixe uma resposta Cancelar resposta

  • Colaboradores
    Ice Informática
    Boletim da PM
    Depósito Casarão
    ACIAP
    Abraccce
    Pontal Formulas
    Bracar
    Argus
  • Meus Favoritos

    • A BALESTRA
    • ACP – Atlético Clube Paranavaí
    • Alvaro Dias
    • Amigos do Chapéu – Cavalgadas
    • Athenas – Eventos esportivos
    • Blog Cultura nos Esportes – Pvaí
    • Blog da Aline
    • Blog da Semam – Paranavaí
    • Blog do Adriano TS
    • Blog do Diego – Pvaí
    • Blog do Flávio Batista
    • Blog do José Torres – Pvaí-PR
    • Blog do Praxedes – Paranavaí
    • Blog do Prof. Carlos – Paranavaí
    • Blog do Rigon
    • Blog do Taturana – Panorama
    • Blog do Zeca Dirceu
    • Blog do Zequinha-Maringá
    • Blog Tamboara – Carlos Rebelo
    • Cássio Augusto – Nova Londrina
    • Cláudio Humberto
    • Cláudio Osti – Londrina
    • CRAS Jardim Maringá – Pvaí
    • CRAS Moema – Paranavaí
    • CULTURA AM NOS ESPORTES
    • David Arioch – Paranavaí
    • Destak Nova Londrina
    • Diário da Mãe de um Anjo
    • Dom Wilmar Santin – Fotos
    • Doutor Z.
    • Edemilson Paraná
    • Edson Lima – Maringá
    • Esmael Morais
    • Fábio Campana
    • Folha de Maringá
    • Gabriela Balbo – Maquiagem
    • Gardenal e amigos da segunda
    • Guilherme Fusco – Pvaí
    • Joice Hasselmann – Curitiba
    • Jornal Portal do Noroeste
    • Loanda em Blog
    • Loanda On-Line
    • Maringá Histórica
    • Messias Mendes – Maringá
    • Nêodo Noronha Dias Jr.
    • Nova Londrina Notícias
    • P.1 – Paranavaí
    • Paçoca com Cebola-Londrina
    • Paranavaí Online
    • Paranavai Net
    • Portal de Loanda (PR)
    • Portal Loanda (PR)
    • Prefeitura de Paranavaí
    • Primeiro Fotógrafo de Pvaí
    • Profa.Marta Bellini (UEM)
    • Pvaí – Anos 60/70 – Blog
    • Pvaí – Anos 60/70 – Site
    • Rafael Costa Monteiro – Adv.Ctba.
    • Secr. da Agricultura-Pvaí
    • Show de Bola – Paranavaí AM
    • Soc.Protetora dos Animais-Pvaí
    • Valmir Trentini
  • maio 2013
    S T Q Q S S D
    « abr    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031  
  • maio 2013
    S T Q Q S S D
    « abr    
     12345
    6789101112
    13141516171819
    20212223242526
    2728293031  
JOAQUIMDEPAULA.COM.BR
CONTATO
loading Cancelar
Post não foi enviado - verifique os seus endereços de email!
Verificação de email falhou, por favor, tente novamente
Desculpe, seu blog não pode compartilhar posts por email.